
A IA QUE MEDE EM VEZ DE CONVERSAR: O QUE O JEV MUDA PARA O ARTISTA AUTORAL
A última novidade que a gente tem visto na inteligência artificial é o Jev, e ela parece bastante promissora. É uma IA com um comportamento diferente e uma forma diferente de lidar com ela.
Ele estudou bilhões de situações para aprender qual é a resposta mais plausível em cada cenário. E a resposta dele vem sempre em números, nunca em conversa humana. Enquanto as outras IA respondem com texto, ele responde com uma probabilidade.
Foi essa diferença que me chamou a atenção.
O QUE EU FIZ COM ELE
Fiz um uso bem pessoal e obtive uma resposta muito interessante sobre o que eu desejava fazer. Resumi cada capítulo do meu livro “O Artista IA” e passei o material para ele. Depois fiz duas perguntas.
A primeira: se o uso da metodologia Fidentia, na sua forma mais básica, impedia ou pelo menos minorava o overfitting e o plágio.
Deixa eu explicar o que é overfitting, porque é o coração disso. É quando a IA decora em vez de aprender. E a decoreba acontece de duas formas.
A primeira é quando ela é treinada com pouco material, e com pouca variedade. Pensa num aluno que decorou as respostas do exercício: ele acerta aquele exercício, mas trava quando o professor muda uma vírgula.
A segunda é mais sutil, e acontece mesmo quando a IA tem muita variedade para aprender. É quando ela é treinada à exaustão com um mesmo tipo de imagem. O rosto do Michael Jackson, por exemplo, apareceu milhões de vezes no material de treino. Por isso a chance de ela reproduzir aquele rosto, em vez de criar algo novo, é enorme. Vale o mesmo para os estilos famosos, como Disney e Pixar. Se ela viu aquilo milhares de vezes, é aquilo que ela tende a devolver.
Nos dois casos o resultado é o mesmo: em vez de criar, ela repete. E é aí que o plágio aparece.
A resposta dele: 88%.
A segunda pergunta foi se, nas formas mais altas do método, com os LoRAs proprietários, o ControlNet proprietário, o IP-Adapter e os prompts higienizados, isso daria ao autor a possibilidade de o material ser reconhecido como trabalho autoral.
A resposta: 93%.
O QUE ISSO SIGNIFICA
Além de validar a minha concepção do uso autoral da IA, tem um ponto importante aqui.
O Jev destrava uma situação difícil que as outras IAs não conseguiam resolver. Quando você tenta fazer uma automação mais longa, ou um projeto maior, a IA trava. Ela não passa de determinada fase. Fica em looping, sem entender onde errou.
O Jev trabalha junto com essas outras IAs, os chatbots e os agentes, ajudando a ultrapassar essas barreiras.
E não é só o humano que decide o que fazer com aquilo. A própria IA, quando bem configurada, também passa a decidir.
A ideia é simples: você ensina o agente a ler as respostas do Jev e a agir conforme a faixa de probabilidade.
Se a resposta vem com 80 ou 90% de certeza, ele segue adiante, tranquilo, sem incomodar ninguém. Se vem com 50 ou 60%, isso é sinal de dúvida, e ele chama o humano para decidir. E se vem com 10 ou 20%, ele simplesmente elimina aquela possibilidade e continua.
Isso muda o que a gente pode fazer com os agentes. Eles ganham autonomia para agir sozinhos, e ao mesmo tempo a margem de segurança fica muito maior. Porque agora eles sabem quando podem ir em frente, e quando precisam parar e perguntar.
POR QUE ISSO IMPORTA PARA QUEM CRIA
Para o artista, isso muda o jogo. Eu passei 35 anos construindo um traço, e a pergunta que sempre me fizeram é como usar a IA sem perder a mão própria. Com uma ferramenta que mede em vez de opinar, eu consigo provar o caminho: o que é imitação, o que é aprendizado, e onde o trabalho é meu.
Ela não responde com conversa bonita. Responde com número. E número, num debate sobre direito autoral, vale mais do que opinião.
Acho que é um momento bastante importante da evolução da IA, que a gente acabou de alcançar.